::..Por que: para estar em contato com cinema, HQ, livros, arte, musica ou qualquer coisa minimamente criativa
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[::..no leito do rio..::]
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:: segunda-feira, agosto 11, 2003 ::
::..Adeus
Podendo ser considerado o post da prorrogação, este será o último e definitivo do blog que me acompanhou nos últimos dez meses. Achei que cabia escrever isso aqui. A minha despedida.
Na margem do rio, cultivou-se uma belíssima flor. Uma flor roxa. Quando não havia mais nada, nos momentos mais escuros, era para lá que eu corria, e sentava-me ao seu lado. Mas ela não foi meu muro das lamentações. Porque nas horas mais brilhantes, reluzentes, do-raiar-do-sol, uma vez mais, era ela que eu buscava, se simplesmente para transbordar a alegria sobre as pétalas púrpuras.
Mas as flores são delicadas, e não precisam só de água. Elas não precisam estar à beira do rio, e nem de um jardineiro desajeitado. Elas precisam do sol.
E o sol é incontrolável. Às vezes, ele ilumina todo o campo; às vezes, se esconde atrás das nuvens, e alimenta a flor com a energia que consegue sobrepor o bloqueio cinzento. Mesmo que o céu derrame-se em choro, contamos com o brilho da estrela, porque o arco-íris ainda aponta a esperança e infinitude da luz. Mas eis que o céu enegrece, e ainda que o dia seja quente, e o calor perdure, a luz já não chega, não nutre, não perpetua.
O céu é portanto inconstante, e em sua impiedosa impassividade, fez surgir e sumir nuvens cinzas, negras e brancas. Muitas vezes, sem que este zeloso jardineiro estivesse olhando, a terra esteve na sombras. E cada vez que surgia a sombra, aquela flor murchava um pouco, carente de alimento. Algumas vezes, era a natureza que encobria a flor; em outras, fui eu que imprudentemente posicionei-me entre a flor e o sol.
Se não era gritante, no mínimo visível que a flor empalidecia, e já derrubava as primeiras pétalas na grama. Minhas parcas aptidões herbalísticas refletiram-se em tentativas inócuas de fazê-la reviver. E dei água a uma flor que ansiava pelo fogo.
A flor murchou. O jardineiro morreu um pouco junto com ela. Um pouco. Muito. A margem está lá. Exatamente no mesmo lugar, o rio correndo, as pétalas secas marcando o sítio que tornou-se o credo de quase três anos. A religião pessoal, o deus-flor. Desencarnado.
É difícil ir à margem novamente, da forma sacra que se fez. Não importa o que se diga, a flor está morta. Pode nascer ali uma outra, amarela talvez, menos brilhante, que me levará àquele lugar vez outra, e em outros pontos do campo surgirão ainda novas, mas aquela foi a primeira. Foi a que deu sentido a tudo. A que ensinou muitas lições ao jardineiro.
As pétalas secas serão recolhidas e guardadas com carinho. As lágrimas irão umedecê-las, artificialmente e sem viço. Serão visitadas, e poderemos receber a unção das novas vidas. Diferente, canhestramente.
Oficializando: este blog fechou. Cansei da cara dele e não tenho nada para escrever nos últimos tempos. Gosto da maioria dos meus posts passados, e com certeza tornarei a visitá-los de vez em quando...
Como não foi possível nos últimos tempos garantir qualquer remota periodicidade, achei melhor parar.
Sim, a possibilidade de um outro blog existe... mas se for realizada será algo temático, e não um monte de asneiras de ordem pessoal como este, que até tinha uma proposta editorial que (quase) nunca fois seguida. Bom, caso crie-se um novo blog, todos serão devidamente informados - Camila, Lioness, Pan, Fábio, Carol, Joinhas, e todo resto da minha legião de leitores!
Foi bom enquanto durou!
:: Pedro Coelho 3:19 PM [+] ::
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